Antes de tudo, um aviso que protege você: o atendimento pelo programa é integralmente gratuito, inclusive o transporte quando necessário. Ninguém liga cobrando taxa, “agilização” ou cadastro pago em nome do SUS. Se cobrarem, é golpe.

Dito isso: desde 2025, pacientes do SUS estão sendo atendidos em hospitais e clínicas privadas, de graça, pelo programa federal Agora Tem Especialistas, criado para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias especializadas. Ele virou lei (Lei nº 15.233/2025) e é prioridade declarada do governo para 2026. Este guia explica como ele funciona do ponto de vista de quem está na fila.

O que é o programa

O governo federal passou a contratar a capacidade ociosa da rede privada, hospitais, clínicas e até operadoras de planos de saúde, para atender pacientes do SUS, além de unidades móveis (carretas especializadas em oftalmologia, saúde da mulher e exames de imagem) e telessaúde para regiões sem especialistas. A primeira etapa prioriza seis áreas, escolhidas porque são as que mais travam as filas: oftalmologia, ortopedia, cardiologia, otorrinolaringologia, ginecologia e oncologia.

Como você entra: ninguém se inscreve

Aqui está o ponto que mais gera dúvida: não existe balcão, site ou fila própria do programa. O acesso é pela regulação normal do SUS, o mesmo sistema que descrevemos no guia completo de como usar o SUS:

  1. Você passa pela consulta na sua UBS e recebe o encaminhamento para o especialista;
  2. o encaminhamento entra no sistema de regulação do município ou do estado;
  3. quando a sua vez chega, o agendamento pode sair tanto na rede pública quanto numa unidade privada contratada, numa carreta do programa ou por teleconsulta, sem nenhuma diferença de custo para você;
  4. o aviso vem pelo aplicativo Meu SUS Digital, por telefone, SMS ou WhatsApp da secretaria de saúde, ou pelo agente comunitário. Mantenha seu telefone atualizado no cadastro da UBS: é o motivo mais banal de perda de vaga.

Na prática, portanto, “entrar no programa” significa fazer o caminho comum bem feito: cadastro na UBS em dia, encaminhamento inserido na regulação (peça o comprovante), contato atualizado e o aplicativo instalado.

E se a fila continuar parada?

O programa amplia a oferta, mas não elimina a espera em toda parte, e esperar tem limites. As camadas de cobrança continuam valendo: a Ouvidoria do SUS (136), o conselho municipal de saúde, que fiscaliza as metas do programa, e a secretaria de saúde responsável pela regulação. Quando a demora ameaça a saúde, especialmente em oncologia, que tem prazo legal para início do tratamento, entram os caminhos jurídicos que tratamos em demora em cirurgia pelo SUS e no guia completo sobre direitos no SUS.

O Agora Tem Especialistas é uma boa notícia rara: infraestrutura nova, gratuita, na direção certa. Saber como ela funciona é o que separa quem se beneficia de quem continua esperando sem saber por quê. Se a espera no seu caso já virou risco, o escritório está disponível para uma análise responsável da situação.

Fale com o escritório

Este guia integra a série prática do escritório sobre o uso do SUS, ancorada no guia completo sobre direitos no SUS.

Sobre o autor

Ramon Martins Andrade (OAB/RJ 188.374) é advogado formado pela UFRJ em 2011, com mestrados pela Université Sorbonne Nouvelle e pela EGN (Marinha do Brasil). Atualmente pesquisador em Direitos Humanos e Saúde pela ENSP/Fiocruz.

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e educacional, não constitui consulta jurídica, publicidade de resultados ou garantia de êxito em processos, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB.