O tocilizumabe atua por um mecanismo diferente dos anti-TNF, e costuma ser indicado quando estes falham, o que estrutura a negativa.

O que é

O tocilizumabe é um imunobiológico (anti-IL-6), com registro na Anvisa, indicado para artrite reumatoide, arterite de células gigantes e artrite idiopática juvenil, entre outras condições. Conforme o protocolo, é infusional ou subcutâneo.

Por que o plano nega

A recusa se apoia na Diretriz de Utilização e na exigência de falha às classes anteriores, sobretudo aos anti-TNF.

A distinção que decide

Quando o reumatologista documenta a falha ou a contraindicação às terapias anteriores, ou justifica o tocilizumabe como a escolha adequada para o quadro, a exigência da DUT se considera cumprida. A negativa persiste, em geral, por ausência dessa comprovação no pedido.

O que costuma acontecer nesses casos

A maior parte dessas negativas não discute se a doença é coberta, discute se o paciente já cumpriu a etapa anterior exigida pela diretriz de utilização. Quando o médico documenta a falha ou a intolerância aos tratamentos convencionais, os tribunais têm considerado cumprida a exigência e afastado a recusa; quando esse histórico não existe, a negativa pode se sustentar. Na prática, o caso se ganha ou se perde no registro do percurso terapêutico, muito antes de qualquer discussão sofisticada.

Antes de concluir

O histórico terapêutico registrado é o que sustenta o caso. O escritório pode avaliar se a diretriz foi corretamente aplicada.

Sobre o autor

Ramon Martins Andrade (OAB/RJ 188.374) é advogado formado pela UFRJ em 2011, com mestrados pela Université Sorbonne Nouvelle e pela EGN (Marinha do Brasil). Atualmente pesquisador em Direitos Humanos e Saúde pela ENSP/Fiocruz.

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e educacional, não constitui consulta jurídica, publicidade de resultados ou garantia de êxito em processos, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB.