Bateu um mal-estar, uma dor, uma febre que não cede: para onde ir no SUS? Escolher a porta certa poupa horas de espera e, em alguns casos, salva. UBS, UPA e pronto-socorro de hospital têm funções diferentes, e usar cada um para o que ele foi feito é a primeira habilidade de quem sabe usar o sistema. Este guia é o mapa.
UBS: o dia a dia e o que não é urgente
A Unidade Básica de Saúde (o “posto”) é a porta de entrada do SUS e resolve a maior parte das necessidades: consultas, acompanhamento de doenças crônicas (pressão, diabetes), vacinas, pré-natal, receitas de uso contínuo, curativos e encaminhamento para especialistas. Não é lugar de emergência, mas é onde a sua saúde é acompanhada ao longo do tempo, e onde tudo começa, como detalhamos no guia completo de como usar o SUS.
UPA: urgência que não pode esperar o posto, mas não é risco de morte
A Unidade de Pronto Atendimento funciona em horário estendido e atende quadros agudos de média complexidade: febre alta, cortes, fraturas simples, crises de pressão, dores fortes, sintomas que não podem aguardar o agendamento da UBS mas não configuram risco imediato à vida. A UPA estabiliza, faz exames básicos e, se necessário, encaminha ao hospital.
Pronto-socorro de hospital: risco à vida
O pronto-socorro hospitalar é para a emergência de verdade: dor no peito, falta de ar intensa, sinais de AVC (boca torta, fala enrolada, fraqueza de um lado do corpo), sangramento intenso, convulsão, acidente grave. Em risco de morte, não perca tempo escolhendo: vá ao pronto-socorro mais próximo ou acione o SAMU.
Em emergência, ligue 192
O SAMU (192) é gratuito e envia atendimento até você em casos graves, além de orientar por telefone para onde ir. Guarde o número. E lembre: a classificação de risco no pronto atendimento (as cores, do vermelho ao azul) não é ordem de chegada, é ordem de gravidade, por isso alguém que chegou depois pode ser atendido antes.
Saber a porta certa é metade do atendimento. O restante do caminho, da consulta com especialista aos medicamentos, está na série prática de como usar o SUS, e os seus direitos quando o sistema falha, no guia completo sobre direitos no SUS.
Este guia integra a série prática do escritório sobre o uso do SUS, ancorada no guia completo sobre direitos no SUS.
Sobre o autor
Ramon Martins Andrade (OAB/RJ 188.374) é advogado formado pela UFRJ em 2011, com mestrados pela Université Sorbonne Nouvelle e pela EGN (Marinha do Brasil). Atualmente pesquisador em Direitos Humanos e Saúde pela ENSP/Fiocruz.
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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e educacional, não constitui consulta jurídica, publicidade de resultados ou garantia de êxito em processos, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB.
