Diferente da terapia gênica de dose única, o nusinersena é um tratamento contínuo, e essa característica muda tanto o custo quanto a lógica da negativa.
O que é
O nusinersena é um medicamento para a atrofia muscular espinhal, administrado por via intratecal em aplicações periódicas ao longo do tempo. Tem registro na Anvisa. Por ser contínuo, o custo se acumula, o que atrai a resistência das operadoras.
Por que o plano nega
Os argumentos comuns são o tipo ou estágio da AME do paciente, a alegação de ausência de enquadramento nos critérios e o custo continuado do tratamento.
A distinção que decide
Como se trata de medicamento registrado para doença grave e coberta, a discussão real é de enquadramento clínico. Quando o neurologista demonstra o tipo de AME e a indicação, a negativa que apela ao custo ou a critérios genéricos perde sustentação frente ao rol e às exceções. A continuidade do tratamento é parte do direito: interromper por razão de custo compromete o resultado já obtido.
O que costuma acontecer nesses casos
Nesses casos, os tribunais têm rejeitado o custo como fundamento de recusa e concentrado o exame no diagnóstico: confirmada a doença pelos exames específicos, genéticos ou enzimáticos conforme o caso, e o enquadramento na indicação, a cobertura tem sido reconhecida, com urgência quando a janela de tratamento é estreita. Sem a confirmação diagnóstica, o caso não se sustenta, e é justo que o paciente saiba disso antes de qualquer passo.
Antes de concluir
O diagnóstico preciso e o acompanhamento da resposta terapêutica são o alicerce do caso. O escritório está disponível para uma análise responsável a partir dessa documentação.
Sobre o autor
Ramon Martins Andrade (OAB/RJ 188.374) é advogado formado pela UFRJ em 2011, com mestrados pela Université Sorbonne Nouvelle e pela EGN (Marinha do Brasil). Atualmente pesquisador em Direitos Humanos e Saúde pela ENSP/Fiocruz.
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