A abdominoplastia é uma das cirurgias plásticas mais procuradas no país, mas também uma das que exigem mais cuidado técnico: envolve grande extensão de pele e tecido, tempo cirúrgico prolongado e, com frequência, é combinada com lipoaspiração — o que soma riscos que precisam ser corretamente avaliados e informados antes do procedimento.

Os riscos que exigem atenção redobrada

Entre as complicações mais sérias da abdominoplastia estão a trombose venosa profunda, a embolia pulmonar, a necrose de pele (especialmente em fumantes ou pacientes com má circulação) e infecções pós-operatórias que podem comprometer a cicatrização de uma incisão extensa. Um caso notório registrado em Belo Horizonte em 2024 envolveu óbito após abdominoplastia, reforçando que — apesar de comum — o procedimento não é isento de riscos graves quando a avaliação pré-operatória ou o acompanhamento pós-operatório falham.

A avaliação pré-operatória adequada — incluindo exames que identifiquem risco de trombose e uma anamnese completa sobre tabagismo, uso de medicamentos e histórico de saúde — é decisiva para reduzir esses riscos a um patamar aceitável.

Quando a combinação com lipoaspiração aumenta o risco

É comum que a abdominoplastia seja realizada junto com lipoaspiração no mesmo ato (“lipoabdominoplastia”), o que pode trazer melhores resultados estéticos, mas também prolonga o tempo cirúrgico e a exposição anestésica. Assim como em outras combinações de procedimentos, o paciente precisa ser informado especificamente sobre esse risco somado — e não apenas sobre os riscos de cada procedimento isoladamente.

O que caracteriza falha do profissional

  • Ausência de avaliação pré-operatória adequada ao perfil de risco do paciente (tabagismo, obesidade, histórico de trombose).
  • Falta de informação clara sobre os riscos específicos da abdominoplastia e de eventual combinação com lipoaspiração.
  • Ausência de acompanhamento pós-operatório adequado, especialmente quanto a sinais de infecção ou necrose.
  • Realização do procedimento fora de ambiente hospitalar com suporte para intercorrências graves.

Danos que podem ser reparados

A reparação pode envolver dano material (novos tratamentos, cirurgia corretiva), dano moral e, em casos de óbito, danos aos familiares, incluindo pensionamento quando aplicável. Como a cirurgia estética envolve obrigação de resultado, presume-se a culpa do profissional quando o resultado não corresponde ao esperado ou quando ocorre complicação evitável, cabendo a ele provar fator externo que justifique o insucesso.

O que reunir antes de buscar orientação

  1. Prontuário completo, incluindo exames pré-operatórios.
  2. Termo de consentimento informado assinado.
  3. Registros de consultas de acompanhamento pós-operatório.
  4. Laudos médicos de eventuais complicações e tratamentos posteriores.

Prazo para buscar reparação

O prazo prescricional é de cinco anos, contados a partir do conhecimento do dano.

Sobre o autor
Ramon Martins Andrade (OAB/RJ 188.374) é advogado formado pela UFRJ em 2011, com mestrados pela Université Sorbonne Nouvelle e pela EGN (Marinha do Brasil). Atualmente pesquisador em Direitos Humanos e Saúde pela ENSP/Fiocruz.

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e educacional, não constitui consulta jurídica, publicidade de resultados ou garantia de êxito em processos, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB.